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Somos a favor de quais vidas?

Há vidas que valem mais do que outras? Este é a nossa primeira reação ao conhecer a Lei do aborto que está em aprovação na nossa Câmara dos Deputados.

Por que as vidas de meninas, crianças e jovens não levadas a sério por uma parcela da classe política do Brasil?

Também somos a favor da vida quando olhamos para essas meninas de 11, 12, 13 anos de idade e nos perguntamos como poderíamos causar menos danos, do que os que já lhes foram causados. Já parou para pensar quais são as necessidades de uma menina depois de ser violentada física, sexual e psicologicamente? O que o Estado e a sociedade deveriam prover para que ela possa completar o seu desenvolvimento da forma mais plena e digna possível? Será que olhar para essas meninas também não é ser a favor da vida?

São questionamentos importantes de serem discutidos e que nos fazem refletir sobre como estamos nos posicionando diante da PL do aborto. Acima disso, como estamos discutindo o impacto dessa lei para meninas, crianças e adolescentes.

Criminalizar uma criança vítima de abuso sexual por não completar a gestação de outra criança, não é ser a favor da vida. Uma menina não pode sofrer penalidades por não ser apta a criar um bebê.

Neste caso, é condená-la duas vezes: ao cumprir medida socioeducativa e retraumatizá-la. Estamos sentenciando essas meninas a não conseguirem elaborar os seus traumas de infância e a não ter espaço para se desenvolver como adultos com sonhos de um futuro melhor.

É uma vida que ainda estaria no início e com tantas coisas para viver, mas com um destino trágico traçado.

Além disso, é condenar a criança que vai nascer a um novo ciclo de violência. Uma adolescente traumatizada, dificilmente será uma mãe com desenvolvimento suficiente para garantir um crescimento saudável.

Quando apontamos e julgamos crianças e adolescentes antes de pensar em como poderíamos acolhê-los, não somos a favor da vida. Criminalizar uma criança por não completar a gestação de um estuprador é afirmar para ela mesma e para a sociedade que falhamos em conseguir protegê-la. Essa PL nos faz mais uma vez escolher por não protegê-la.

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