Luanda Vieira

Apaixonada por Histórias

Ser apaixonada por histórias é uma coisa que vem desde criança. Acredito que seja assim com a maioria dos jornalistas, mas no meio da minha coleção de revistas (minha mãe assinava todos os títulos que existiam no mercado brasileiro, sem exagero, sobre vários assuntos) também me apaixonei pelo balé clássico. Aos seis anos de idade um ortopedista indicou a prática para corrigir minha postura e aos 17 eu não pensava em outra coisa, a não ser me tornar bailarina profissional.

Com duas malas de 20kg cada cheguei em Nova York para realizar esse sonho estrutural: o de me profissionalizar na cidade que tudo pode e provar que eu também poderia estar exatamente onde eu quisesse. Ser capricorniana é assim, sempre. Fiz um curso de verão no Dance Theatre of Harlem e ingressei no Alvin Ailey. Após uma lesão no joelho, voltei ao Brasil para a cirurgia e pronta para colocar em prática o meu plano inicial, o de ser jornalista.

Independente de contar histórias no palco ou na revista, a paixão pela moda, principalmente pela fotografia de street style, foi a única coisa que caminhou comigo durante todas as fases.

Fazer jornalismo no Mackenzie, em São Paulo, significa passar dois anos da faculdade estudando no período da tarde – o pior horário para encontrar um estágio bacana ou com o seu perfil. Aproveitei para escrever para diversos blogs no tempo livre e a minha dedicação me levou até a ser “editora”, na época, de um que nem existe mais, chamado Loopstyle.

Depois estagiei em sites de celebridades; e passei um período cobrindo Cidade no Metro Jornal (aquele do grupo Bandeirantes distribuídos gratuitamente no farol). Mas com a cabeça sempre no jornalismo de moda ou cultural. Me formei sem emprego, mas logo veio uma proposta de ser freelancer no Prêmio Editora Globo de Jornalismo.

E foi ali, em 2018, que começou a minha estratégia até ser editora de Moda na Glamour. A única coisa em comum que eu tinha com a Comunicação Corporativa era o meu TCC: uma agência de comunicação criada para criar uma nova estratégia para as Quebradeiras de Coco do Maranhão, que até ganhou o prêmio nacional Expocom de melhor trabalho do ano. Aqui preciso explicar que o que me levou a fazer um trabalho de conclusão de curso completamente fora da minha área de interesse foram as minhas notas. A coordenadora do curso, na época, escolheu três pessoas para confiar um serviço encomendado à faculdade. Aceitei pela honra.

O freela na Editora acabou virando fixo e por lá fiquei durante quatro anos. Foi um período de muito aprendizado e a melhor oportunidade de conhecer as pessoas que eu trabalho diretamente hoje. Migrar para a área que eu realmente gostava demorou, mas hoje vejo que foi no tempo certo.

Cheguei à Glamour num período de mudança editorial em que as equipes do digital e impresso passaram a ser integradas. Foi ali, também, que vi a necessidade de estudar sobre diversidade e inclusão. E hoje, além de tratar a moda como ferramenta de representatividade, faço parte do Comitê Global de Diversidade e Inclusão da Condé Nast.

Ocupar esse espaço não poderia ser mais relevante para mim, ainda mais em um momento de mudanças inéditas como esse que estamos vivendo!

 

Luanda Vieira é editora de moda da Glamour e faz parte do Comitê Global de Diversidade e Inclusão da Condé Nast.

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