Fabiana Gutierrez

​Falar sobre empatia é fácil

Falar sobre empatia é fácil. O difícil é colocá-la em prática. Exercer empatia é um desafio horário porque, não raro, nos deparamos com situações desconfortáveis que colocam em cheque nossas certezas. Sempre que posso, pergunto se é mais fácil ser empático com alguém parecido ou diferente da gente e, invariavelmente, a resposta é: PARECIDO! Essa pergunta não serve para nada além de nos lembrar que o verdadeiro exercício empático é respeitar o outro na sua individualidade mesmo que isso nos custe revisitar nossas certezas.

Exercitar a empatia passa por não emitir juízo de valor, ou seja, aceitar que o que eu penso e tenho como certo não estão em questão. Claro que é impossível não julgar porque, se estamos falando do que pensamos, o exercício de olhar uma situação e analisá-la é feita a luz das nossas referências e nosso olhar para o outro e sua história passa, sem dúvida, por elas. Mas o que fazemos com isso é o que realmente importa. Para ter empatia não é necessário concordar mas, sim, entender e respeitar o outro. Entender que ele tem uma história diferente da nossa e que, portanto, o que pensamos (julgamos) dele realmente não faz a menor diferença. Para entendê-lo e respeitá-lo de verdade, devemos olhá-lo a partir das referências e necessidade dele e não das nossas. E se não dermos conta? Então, com todo respeito, nos afastamos porque a incapacidade de lidar com a situação é tão somente nossa.

Uma das coisas mais importantes que aprendi estudando empatia é que, para estar aberto para o outro, requer uma disponibilidade interna nossa que encare as dificuldades que nós temos: nossas limitações, vulnerabilidade e fragilidade. Estamos sempre cheios de certezas que são nada além da necessidade de controlar o incontrolável, classificar o que não tem classificação e prever o imprevisto. Cada ser é um universo em sua essência. Uns mais familiares, outros completamente desconhecidos. Exercitar a empatia é aceitar essa viagem em direção a um novo lugar e explorar o que ele tem a nos oferecer. Pode ser uma viagem turbulenta mas certamente cheia de surpresas. E quem disse que surpresas não são melhores que promessas?

 

Fabiana Gutierrez, uma das fundadoras de Carlotas, empresa com propósito social que busca criar espaços de diálogo para olhar e cuidar das relações. Carlotas faz isso usando uma abordagem lúdica e artística em empresas e instituições de ensino e reverte pelo menos 10% do faturamento anual para fazer programas em instituições públicas de ensino, um programa chamado de Explore Carlotas. Uma das instituições que realizaram esse trabalho desde 2016 é a Fundação Casa Chiquinha Gonzaga, por meio de uma parceria com o Instituto Mundo Aflora. O objetivo lá é apoiar o desenvolvimento das competências socioemocionais das meninas que passam pelo programa.

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