
Ser mulher na socioeducação é enfrentar o sistema duas vezes
Mundo Aflora Quando uma adolescente chega ao sistema socioeducativo, quase sempre sua história não começa ali. Antes da medida, muitas
Setembro Amarelo nos lembra que valorizar a vida é urgente, necessário e muitas vezes desconfortável. Sabemos que falar de vida não é suficiente se não falarmos também de direitos, porque cada vida só pode florescer quando há dignidade, cuidado e oportunidades.
Crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social enfrentam barreiras que vão muito além de escolhas individuais, como escolas sem recursos, serviços de saúde insuficientes, ausência de apoio psicológico, violência, discriminação e falta de políticas públicas efetivas. Quando a sociedade ignora essas condições e o Estado não garante direitos básicos, criamos um terreno fértil para o sofrimento emocional e psicológico. Nessas condições, a vida pode parecer uma luta solitária, e o suicídio, infelizmente, não surge no vazio: ele é fruto de uma rede de desigualdades, negligências e silêncios.
Ignorar essas falhas seria fechar os olhos para a raiz do problema. Garantir que cada criança e jovem tenha acesso a cuidado, proteção e oportunidades de futuro é, na prática, um ato de preservação da existência e do bem-estar.
No Instituto Mundo Aflora, atuamos para promover saúde mental e fortalecer vínculos de meninas cis e pessoas trans que estão ou estiveram em privação de liberdade por meio da Jornada Aflorar. Este programa acompanha cada jovem desde sua vivência dentro das unidades até o pós-medida socioeducativa, oferecendo psicoterapia individual, grupos terapêuticos, atividades culturais, oficinas socioemocionais, acompanhamento educacional e oportunidades de empregabilidade. Por meio dessas ações, ampliamos recursos para lidar com emoções e traumas, criamos espaço seguro e estimulamos a construção de um futuro diferente, longe da reincidência.
Cada atendimento, cada atividade e cada curso de formação é um passo concreto para que essas jovens percebam seu valor e reconheçam a importância de seus direitos. Transformar vidas exige mais do que acolhimento: exige ação, equidade e compromisso. Cada pessoa acompanhada pelo Instituto Mundo Aflora é um lembrete de que preservar vidas envolve garantir proteção e oportunidades, e que cada direito assegurado forma uma rede de cuidado contra o desespero.
Setembro Amarelo é um alerta. Não podemos mais ignorar que investir na saúde mental é também assegurar que a sociedade cumpra sua obrigação mais básica: proteger pessoas, promover direitos e reduzir desigualdades. Defender a vida é, acima de tudo, uma responsabilidade coletiva, e responsabilidade sem ação é apenas silêncio.
Que este mês nos faça refletir e agir: quantas vidas poderiam ser transformadas se todos os direitos fossem garantidos de forma efetiva?

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